O Largo da Feira, em Ataíde, acolhe este domingo, 20 de Setembro, o encontro sabores tradicionais.
A confraria do Anho Assado com Arroz do Forno (Marco de Canaveses) e a Confraria do Sarrabulho Doce (Caíde de Rei – Lousada) marcam presença no almoço confrádico organizado em parceria com a Associação Empresarial de Vila Meã.
A preservação das tradições culinárias e a valorização dos produtos endógenos da região do Tâmega e Sousa vão estar em destaque a partir das 11 horas no recinto do evento Entre Vizinhos.
A jornada festiva arranca com um pequeno almoço tradicional composto pelo café de saco Celestino (café oficial do evento) e a típica regueifa.
Segue-se um momento cultural e um encontro de confrarias “À porta do forno”, onde a gastronomia se cruza com a identidade da região. Um dos pontos altos do programa é a apresentação pública de um estudo científico desenvolvido ao longo de três anos sobre o emblemático anho assado com arroz de forno, realizado pela confraria.
“Todos estes encontros que nós fazemos com a gastronomia, associamos sempre a cultura para mantermos viva as nossas tradições e os nossos saberes e sabores”, refere Luís Brás, chanceler da Confraria do Anho Assado com Arroz de Forno e um dos responsáveis pela iniciativa.
Para o confrade a intenção do estudo realizado que culminou com o lançamento do livro “Anho Assado com Arroz de Forno: Afectos, História e Tradição”, passa por demonstrar e consolidar a relevância histórica e regional do prato: “Nós já o sabíamos, mas quisemos concretizar isso num livro, num estudo científico para que toda a gente comprovasse a veracidade deste processo. Temos identidade, temos história, temos sabor”.
O momento que antecede o almoço vai também ser de apresentação da publicação por Carolina Mendes, do Instituto de Imersão Cultural Stay To Talk.
O almoço tradicional incluirá uma harmonização com vinho verde da região e uma sequência gastronómica identitária: a entrada com bazulaque (confecionada a partir dos miúdos do anho), o prato principal de anho assado com arroz de forno e a sobremesa tradicional do sarrabulho doce. A acompanhar o vinho verde Desconcertante, o vinho oficial deste almoço confrádico.

A vertente doce do repasto estará a cargo da Confraria do Sarrabulho Doce, representada pelo seu chanceler, Luís Peixoto. Preparado com sangue de porco e pão de Padronelo (ou trigo de cantos), este doce secular desperta habitualmente a curiosidade de quem o descobre pela primeira vez. Luís Peixoto explica a singularidade desta receita, cujos registos locais remontam pelo menos há cerca de 120 a 150 anos:
“Quando falamos em sarrabulho doce, as principais questões que nos fazem é [se são] as papas de sarrabulho, o arroz de sarrabulho. E nós: não, é sarrabulho doce, literalmente doce sobremesa. É tão peculiar e particular que só por si só acaba por suscitar muita curiosidade e as pessoas arriscam a provar”.
O chanceler lembrou ainda a forte ligação histórica desta sobremesa às antigas matanças do porco e aos momentos de convívio familiar no inverno.
“Estar a comer sarrabulho doce faz-me lembrar os tempos de criança, faz-me lembrar a minha avó, precisamente por ser um doce que era tão típico de uma determinada época do ano. Acredito que vai fazer com que mais pessoas tenham oportunidade de recordar um bocadinho da sua história”, comenta.
Além da componente patrimonial, Luís Peixoto destacou que a iniciativa fortalece a ligação geográfica e comunitária entre freguesias vizinhas, considerando o sarrabulho doce “mais um elo de ligação muito interessante” entre Caíde e Vila Meã.

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