A Junta de Freguesia de Vila Meã foi informada, no passado dia 27 de agosto, que o balcão de atendimento do Banco Santander Totta, localizado em Vila Meã, irá encerrar definitivamente já no próximo mês de outubro. Segundo comunicação daquela entidade bancária, o encerramento do balcão no centro de Vila Meã acontece por decisão estratégica da Administração Central do Banco Santander Totta.
A decisão, comunicada formalmente à Junta de Freguesia, é apresentada pelo banco como irreversível, tendo sido tomada no âmbito da política interna da instituição e de critérios de natureza financeira e estratégica.
A Junta de Freguesia de Vila Meã lamenta profundamente esta decisão, considerando que o encerramento de mais um balcão bancário representa uma perda significativa para a comunidade e para a dinâmica económica e social da vila.
“O impacto será particularmente relevante para as empresas, comerciantes, instituições e população local, mas também, e de forma muito especial, para os cidadãos mais idosos, que continuam a recorrer ao atendimento presencial, ao contacto direto com os funcionários bancários e às caixas automáticas existentes no balcão”, considera Henrique Sousa, presidente da Junta.
“Num território onde os serviços de proximidade assumem uma importância fundamental, a redução da presença física da banca representa, para a Junta de Freguesia, um motivo de preocupação, sobretudo perante as dificuldades que parte da população ainda enfrenta na utilização exclusiva dos canais digitais”, sustenta.
Decisão sem margem de negociação
De acordo com a informação transmitida à Junta de Freguesia, numa reunião realizada nesse dia por solicitação da direção do banco, a decisão terá sido deliberada pela Administração do Banco Santander Totta e enquadra-se numa política anteriormente definida e implementada pela instituição, assente numa visão de âmbito nacional e em critérios de natureza financeira.
O Santander Totta encerrou 50 balcões em Portugal durante o ano de 2025. O que está a acontecer é o que o banco considera esta medida como uma melhor otimização da rede, sustentando que está a reduzir o número de agências para concentrar os serviços. Assim, o Santander Totta justifica a decisão, argumentando que Portugal ainda tem mais balcões por habitante do que a média da União Europeia.
Com o fecho desta dependência bancária, pode também estar em causa a permanência do ATM (Caixa Multibanco) neste local. Ainda não é certo que esse serviço se mantenha, mas caso não aconteça a localidade de Ataíde perde o único ATM que dispõe naquela zona da freguesia.
Já a partir de Outubro e para atendimento presencial no Santander os vilameanenses terão de se deslocar ao Balcão Santander Amarante na Rua Cândido dos Reis, ou recorrer a outras instalações em concelhos vizinhos.
A decisão foi comunicada à Junta como “um processo já decidido e sem margem para negociação, tendo sido estabelecido um prazo muito reduzido para a concretização do encerramento, previsto para outubro.”
Para Henrique Sousa “o encerramento do balcão do Banco Santander Totta acontece num contexto de progressiva redução da presença física dos serviços bancários nas comunidades locais.”
A Junta de Freguesia considera que esta realidade merece reflexão, uma vez que os serviços de proximidade continuam a desempenhar um papel essencial na coesão territorial e na qualidade de vida das populações, particularmente em localidades com uma forte atividade empresarial e comercial e com uma população que nem sempre dispõe das mesmas condições de acesso aos meios digitais.
Por agora os clientes do Banco Santander Totta que se deslocam a esta dependência já estão a ter a confirmação da informação, que entretanto já circula nas ruas, embora os clientes ainda não tenham recebido formalmente esta informação. O Banco revelou à junta de freguesia que vai realizar essa comunicação prestando as informações necessárias relativamente aos serviços, alternativas de atendimento e demais procedimentos decorrentes desta decisão. A população demonstra surpresa pela notícia e os comerciantes apreensão.
Para João Novais, vice-presidente da Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM) “o fecho do balcão Santander é um golpe para Vila Meã, principalmente para a zona de Ataíde onde está concentrado o maior número de comércios e serviços da nossa freguesia.” João Novais não deixa de notar a preocupação da comunidade sobretudo dos lojistas: “Como comerciante inserido nesta zona e gerente do ponto CTT, contacto de perto com as necessidades das pessoas e sei que esta decisão vai ter um impacto muito grande na vida de todos, pois um balcão apenas não vai conseguir dar resposta às necessidades de todos os vilameaneses e empresas aqui inseridas.”
O vice-presidente da AEVM ainda nota que ” numa fase em que estamos perante um crescimento exponencial da nossa terra e principalmente com a iminente criação da futura zona industrial de Vila Meã, tem que ser encontrada uma solução de maneira a atrair indústria e comércios para a nossa terra. Se irreversível a decisão, é preciso olhar para outras entidades bancárias que consigam ver o potencial de Vila Meã.”.
Ao JVM, Daniela Ribeiro, proprietária da Enigma – Casa Sérgio , não esconde a preocupação: “Enquanto comerciante de Vila Meã, considero que o encerramento do balcão do Santander seria uma grande perda para a nossa terra. Um serviço bancário de proximidade é importante não só para a população, mas também para o comércio e para as empresas locais.”.
“Vila Meã tem crescido e dinamizado a sua atividade económica, e não faz sentido perder serviços que são importantes para a comunidade. Espero sinceramente que esta decisão seja reconsiderada e que o Santander continue presente em Vila Meã.”, considera.
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