O projeto ConstróiTech – Tâmega e Sousa teve a sua sessão de apresentação a 29 de maio, nas instalações do Cenfim (Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica) em Amarante. O projeto de Transformação Digital no Setor da Construção da região tem como promotores a Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM) e a Universidade Portucalense (UP) Infante D. Henrique com o propósito de, nos próximos 24 meses, implementar a promoção da maturidade digital das empresas do setor, reforçando a sua competitividade através de uma transformação digital e de capacitação de ferramentas para o efeito.
Continuamos nesta edição do Jornal de Vila Meã (JVM) a dar enfoque aos protagonistas das entrevistas realizadas aos intervenientes do projeto (promotores, parceiros, empresários).
A mensagem, contudo, é unânime: digitalizar não é apenas adotar tecnologia, é mudar mentalidades para garantir a sustentabilidade e resiliência de um dos motores da economia regional e nacional.
“O processo de digitalização é fundamental para tornar as profissões tradicionais mais atrativas e limpas para os jovens”
Adão Ribeiro – Invest Amarante
Em representação da Invest Amarante, Adão Ribeiro partilhou a sua visão sobre o impacto desta iniciativa na região do Tâmega e Sousa.
“Destaca-se aqui a importância de projetos abrangentes que superem os limites municipais para enfrentar desafios comuns no setor da construção e o processo de digitalização é fundamental para tornar as profissões tradicionais mais atrativas e limpas para os jovens, combatendo a fuga de talentos do território.”
Considera Adão Ribeiro que “aumentar a produtividade através da tecnologia é possível”.
“Elevar os salários e reter recursos humanos valiosos, criando um ecossistema de partilha de conhecimento e sinergias entre as empresas locais e a digitalização é a chave para reter jovens e valorizar o setor da construção”, comenta.
Para o entrevistado “o setor da construção civil em Portugal enfrenta um desafio duplo: a necessidade urgente de modernização e a crónica escassez de mão de obra. No âmbito da iniciativa ConstróiTech, a digitalização surge não apenas como uma evolução técnica, mas como a estratégia central para tornar o setor mais apelativo para as novas gerações e garantir a retenção de talento nas regiões do interior.”
Alertou ainda que há a necessidade de alterar a imagem tradicional da construção civil: “Através da digitalização e da desmaterialização de processos, o objetivo é transitar de um setor visto como pesado para uma área tecnológica e inovadora. Esta mudança é considerada vital para atrair jovens que, de outra forma, procurariam oportunidades noutros setores ou geografias.”
“O marketing digital na construção civil passou a ser uma ferramenta essencial de certificação e transparência”
Francisco Freitas – Novva
Num papel de parceiro tecnológico, Francisco Freitas, da agência Novva, evidencia a relevância vital da digitalização e do marketing estratégico para o setor empresarial, com especial foco na construção civil.
Segundo ele “a transição digital não se limita à organização interna, mas exige uma comunicação que gere credibilidade e confiança perante um público cada vez mais exigente e informado”.
“As empresas devem utilizar os seus canais online e websites para demonstrar autoridade técnica e facilitar a interação direta com potenciais clientes e a Novva propõe soluções que transformam a presença digital numa ferramenta de validação de competências e conversão de negócios”, realça.
Para Francisco Freitas, a credibilidade Digital é a Nova “Moeda de Troca” no setor. Numa era marcada pela digitalização galopante, as empresas do setor enfrentam o desafio de transpor credibilidade para o mundo online.
“O marketing digital na construção civil deixou de ser ruído ou propaganda para se tornar uma ferramenta essencial de certificação e transparência”, refere, considerando ainda “que uma empresa precisa de estar organizada internamente para que a sua comunicação digital seja genuína e eficaz”.
Notando a importância de uma forte presença online, Francisco Freitas ainda notou que “deve servir para demonstrar que o construtor é, de facto, um especialista, comprovando a sustentabilidade dos materiais e o cumprimento de prazos que apregoa e a Novva ajuda o cliente em adaptar o know-how industrial à realidade específica da construção civil, preparando-a para um mercado cada vez mais exigente e conhecedor”.
“O grande objetivo desta transição digital não é apenas “vender”, mas sim criar um ecossistema de confiança onde o cliente sinta segurança para investir as suas poupanças de uma vida”, remata.
“A transição para o digital não é apenas uma questão de imagem, mas de eficiência operacional”
Ricardo Oliveira – CICOPN
Em representação do Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas (CICOPN), Ricardo Oliveira deixou claro que a aposta na Digitalização e Formação vai criar a “Nova Fornada” de Profissionais da Construção.
Para o entrevistado “o setor da construção civil em Portugal está a atravessar uma fase de transição profunda, onde a modernização tecnológica é vista como a solução para a escassez de mão de obra e a baixa produtividade.”
Num destaque ao papel crucial da formação digital para atrair novos talentos e otimizar o trabalho no terreno, Ricardo Oliveira considerou que “o grande desafio atual passa por transformar a cultura de trabalho do setor. Os trabalhadores vêm de uma realidade distinta, uma realidade ainda de muito trabalho braçal, e o objetivo do CICOPN é agora preparar uma nova fornada de trabalhadores a integrar no setor efetivamente com meios digitais”.
Notou ainda que “a transição para o digital não é apenas uma questão de imagem, mas de eficiência operacional. Ao dotar os profissionais de competências tecnológicas, garante-se que o trabalho seja, em primeiro lugar, realizado com melhor qualidade, sem tantos desperdícios e também de forma mais facilitada e mais rápida”.
Referiu ainda que o CICOPN está a apostar fortemente na captação de jovens que terminam o 9.º ano, oferecendo percursos formativos que fogem do estereótipo tradicional da construção.
“Uma oferta de cursos em ambiente digital e à distância, permitindo que jovens de regiões como o Tâmega e Sousa possam formar-se sem sair da sua área de residência em áreas de ponta como a modelação e desenho da construção, com foco no BIM (Building Information Modeling).”
A presença do polo do CICOPN em Amarante é vista como um passo estratégico para aproximar a formação das empresas locais.
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