O projeto ConstróiTech – Tâmega e Sousa teve a sua sessão de apresentação a 29 de Maio, nas instalações do Cenfim (Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica) em Amarante. O projeto de Transformação Digital no Setor da Construção desta região tem como promotores a Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM) e a Universidade Portucalense (UP) Infante D. Henrique com o propósito de, nos próximos 24 meses, implementar a promoção da maturidade digital das empresas do setor, reforçando a sua competitividade através de uma transformação digital e de capacitação de ferramentas para o efeito.
Foram mais de duas dezenas de participantes entre entidades, empresas do setor e parceiros que acompanharam a sessão denotando a pertinência do projeto e importância para o setor e região.
A sessão de apresentação iniciou com o discurso de boas-vindas de Celma Pinheiro, vice-presidente da AEVM. A vice-presidente iniciou a sua intervenção descrevendo um retrato da região e as ações da associação que representa, para fazer crescer os vários setores de atividade.
“O Tâmega e Sousa é uma região profundamente empreendedora. É feita de trabalho, iniciativa, capacidade produtiva e forte ligação entre a atividade económica, as famílias e as comunidades locais. É também uma região onde muitos empresários constroem valor diariamente, com esforço e sentido de responsabilidade. A missão da AEVM continua a ser apoiar este tecido económico, defender os seus interesses, criar respostas de proximidade e contribuir para que os agentes económicos da região tenham melhores condições para competir, inovar e crescer”, considerou.
“É este caminho que queremos iniciar com o ConstróiTechTS: um caminho de conhecimento, capacitação e sensibilização, ao serviço da construção, das PME e da competitividade regional”, destacou Celma Pinheiro.
Seguiu-se a apresentação do projeto por Rosário Meneses da equipa técnica da AEVM e coordenadora do projeto. Numa abordagem direta para as empresas, Rosário Meneses destacou as várias fases do projeto nos seus dois anos de existência entre Workshops, TalksDigitais (webinars), acompanhamento com guias de capacitação (BIM avançado, impressão 3D, SIG estratégico), exploração de tecnologias (IA) e ação coletiva de capacitação em três empresas piloto.
Apresentou ainda um diagnóstico a 20 PME’s do setor da construção do Tâmega e Sousa realizado pela AEVM, demonstrando que 92% não têm alguém dedicado às TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) ou à transformação digital e que 70% das empresas indicam que entre 75% e 100% dos processos ainda são manuais.
“Os dados evidenciam desafios significativos de preparação digital no setor”, fez notar, enquando mostrava números que evidenciam a importância do setor para a região: no Tâmega e Sousa estão instaladas 5 mil 370 empresas de construção civil; representam 11,6% do total regional e 4,7% do total nacional para o setor; empregam 39.803 (23,8% do total regional).
Fernando Moura e Silva, vereador da autarquia amarantina com o pelouro da tecnologia e inovação, marcou presença no evento. Parabenizou as entidades pelo projeto, referindo que o município de Amarante tem “uma dinâmica empresarial conhecida”.
“Associar o mundo empresarial, as academias e o ensino superior, é o melhor caminho e por isso é uma honra para o município estar nesta apresentação, mostramos total abertura para ser parceiros de novos projetos e julgo que este tem todas as condições para ser um grande projeto”, referiu.
A intervenção de Paulo Morais, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Universidade Portucalense, captou a atenção dos empresários presentes, focando o seu discurso nos vários níveis de maturidade digital e o que é importante nas linhas de ação das empresas.
“Se este projeto tem alma a duas pessoas o deve: à Dra. Rosário Meneses e a professora Filomena da Portucalense”, ressalvou.
“Quando falamos de digitalização na construção não estamos a falar de uma moda, sendo algo de muito mais concreto. Estamos a falar de acrescentar valor, reduzir o erro e permitir melhor decidir”, começou por refletir.
“Digitalizar começa por organizar informações dispersas e é prioritário que as PME comecem por refletir onde perdem tempo e dinheiro de modo a poder organizar-se para responder melhor”, alertou, acentuando que “a tecnologia por si só não resolve o problema da construção, se for mal escolhida ou mal implementada pode ser só mais um custo”.
“Nas empresas o problema não está na falta de esforço, mas na ausência de informação atualizada, partilhada por todos. Qual a informação válida, quem aprovou o quê e que impacto tem na obra e isto tem relevância no trabalho final”, considerou.
Para o diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia da Universidade Portucalense “a digitalização deve começar pela seguinte pergunta: onde é que a minha empresa perde tempo, perde margem e sobretudo onde perde controlo”.
Paulo Morais evidenciou os passos iniciais para as empresas se lançarem nesta transformação digital, que considerou ter que ser realizada por etapas.
“A construção do futuro vai ser muito mais digital, mas acima de tudo vai ter de ser mais coordenada, sustentável e eficiente e as empresas tem de digitalizar para construir melhor”, concluiu.
O projeto inclui ações de sensibilização e capacitação, diagnóstico de maturidade digital, apoio à inovação e um programa de aceleração para a construção 4.0. Ficou claro que promover a adoção de tecnologias digitais avançadas às empresas e soluções inovadores neste âmbito vai promover apropriação coletiva e impacto regional.
A apresentação do projeto abordou ainda o tema do recrutamento de recursos humanos a pessoas com deficiência e incapacidade. A presença de Cristina Sanches do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) esclareceu os presentes sobre os passos a dar pelas entidades para a contratação e integração assim como os apoios/incentivos à contratação e acompanhamento na contratação de pessoas com deficiência ou incapacidade.
A Tertúlia “Experiência em Rede” deu voz a empresários, na apresentação das suas empresas, serviços que prestam e a oportunidade de comentar a sua maturidade digital. Participaram na tertúlia algumas empresas de construção civil, mas também informática, instalações elétricas, serviços de vidraria e estruturas metálicas, revelando que a participação é uma intenção de todos e que a maturidade digital é algo que lhes interessa e pelo qual querem seguir caminho de futuro.
A região do Tâmega e Sousa tem no setor da construção civil forte presença e representatividade e a AEVM, sabendo que as empresas da região são reconhecidas em Portugal e internacionalmente, encara o projeto com a finalidade de participar na construção de empresas atualizadas na transformação digital. O 1º workshop do projeto já está marcada para 15 de Junho a partir das 14h30 na empresa JMM, Demolições, em Penafiel. É o primeiro de uma série de workshops que vão realizar-se pela região do Tâmega e Sousa.
O projeto “ConstróiTechTS – Transformação Digital no Setor da Construção do Tâmega e Sousa” é cofinanciado pelo COMPETE 2030, pelo PORTUGAL 2030 e pela União Europeia.
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