Caricata a história que vou contar.
Numa comunidade, há procedimentos ou regras que é necessário cumprir por todos os elementos, que devem ser respeitados, tendo em conta o bem comum. Assim sendo, depois de um dia de trabalho, durante o qual algumas portas se fecham, muitas se abrem também e muitas outras continuam abertas, foi agendada uma reunião – lareira que continua a gastar lenha vital para que o fogo continue aceso. Havia, como dizia, uma janela para fechar. Os dias escoam-se, gastam-nos, levam-nos as memórias, ficam apenas os acontecimentos mais urgentes.
Recordando o que acontecera num encontro muito anterior, havia necessidade de validar a opinião de alguém que tinha condenado decisões superiores e que se encontravam numa fase de experimentação a nível da sua consecução. Tinha havido apoio, unanimidade concertado. Porém naquele dia, dia de reunião, reforço, o manto de silêncio estendeu-se pela sala.
Num momento decisivo de escolha – foram apenas apresentados dois caminhos, o do sim e o do não – uma mulher, munida de uma coragem ignota, resolveu apoiar a voz condenatória.
Houve admiração e estranheza. De imediato, a amiga, com quem partilhava os seus mundos interiores, manifestou, com notória hesitação também, o seu apoio ao argumento, mais pressionada pela amizade do que propriamente pela razão. Que confusão! É verdade. Não deixa de ser um ato inconsciente, irrefletido, pensarão, uma atitude pouco sábia, de manifesta ingenuidade. É verdade. Foi o instinto de imitação, de defesa, de apoio incondicional, talvez, – a coragem cobre fragilidades invisíveis. Questionadas, as mulheres não souberam responder.
Era uma espécie de ligação umbilical, inacessível à compreensão nesta dimensão do humano. Muito mais tarde, ponderaram e riram da situação. Nenhum episódio semelhante merece a perda de sanidade mental, porém, qualquer momento serve para provar a honestidade humana.
Mas vamos ao que verdadeiramente interessa. Pode esta peculiar história servir de um breve intróito para este editorial que pretende, em primeiro lugar, enaltecer a solicitude humana, o trabalho de pessoas de boa vontade.
Maio é o quinto mês do calendário gregoriano e o terceiro dos sete meses que têm 31 dias. Para os católicos romanos, este mês é dedicado especialmente à Virgem Maria. Maio (em latim, Maius) foi nomeado em homenagem à deusa grega Maya, mãe de Hermes, que foi identificada na mitologia romana com a deusa da fertilidade Bona Dea, cujos festivais os romanos celebraram neste mês. Para o Jornal de Vila Meã, Maio é um mês muito especial, pois celebra-se nesta edição o número trezentos. Trezentos meses de partilha, de entrega, de dedicação à causa social. Recorde-se que o nosso jornal, o vosso jornal, nasceu da vontade e da nobreza de alguns homens. As palavras servem os homens, as imagens também. São registo, são prova irrefutável. Por isso, vejam esta página com muita atenção, demorem-se nela; Vila Meã vive nela também. As imagens testemunham, como referi, o empenho de muita gente, mas também a teimosia, a assertividade, o conceito de que vale a pena erigir algo em prol do bem comum.
Parabéns ao Jornal de Vila Meã!
Gratidão a todos os que contribuíram para a sua identidade e para o seu crescimento.
Que continue a caminhada com sabedoria, justiça e lealdade!
QUER RECEBER O NOSSO JORNAL?
Ao assinar a nossa newsletter iremos enviar todos os meses as notícias da atualidade local e do concelho



