elisabete silva

Investigadora amarantina criou uma nova esperança para um velho problema feminino

É amarantina a investigadora que criou uma nova solução para um velho problema feminino – o prolapso dos órgãos pélvicos.

Elisabete Silva, natural da freguesia da Lomba, é professora na FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) e investigadora do INEGI (Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial) e tem-se dedicado, nos últimos anos, à investigação de uma malha biodegradável que propõe um tratamento inovador para um problema que afeta milhões de mulheres em todo o mundo.

Consiste no desenvolvimento de um implante inovador para o tratamento do prolapso dos órgãos pélvicos (POP), que já está a ser estudado desde 2011. Explica-nos Elisabete Silva “que o parto vaginal pode afetar os músculos do pavimento pélvico juntamente com os ligamentos e causando incontinência urinária”.

O projeto já começou há muitos anos e a investigadora diz que foi “mudando de percurso, mas sempre com o foco nas disfunções pélvicas”. Quando em 2019 a FDA, agência reguladora norte-americana, proibiu as malhas sintéticas para o tratamento do prolapso transvaginal, a investigadora revela que já estava a trabalhar “nos implantes e nas malhas que são usadas no tratamento do prolapso que até à data tinham causado complicações às mulheres”.

“Soube que estava no caminho certo, até porque até então não existe um tratamento específico para este problema”, comenta.

O tratamento da malha biodegradável, capaz de substituir a malha sintética, banida nos Estados Unidos, mas não proibida na Europa, valeu ao projeto, já em 2025, um financiamento da fundação La Caixa (CaixaImpulse Inovação em Saúde) para colocar este tratamento inovador no mercado.

“Lançar um novo dispositivo médico no mercado não é fácil, é preciso muito financiamento, pois só para a patente é necessário muita verba e a verdade é que necessitamos sempre de financiamento novo mas até ao final deste ano esperamos ter registo de patente”, observa.

“Não é um processo fácil nem linear, mas vamos tentando”, diz-nos a investigadora com entusiasmo.

Elisabete Silva entrou em 2007 no Instituto Politécnico de Bragança e licenciou-se em Engenharia Biomédica, doutorando-se mais tarde na mesma área pela FEUP, sendo que logo de seguida venceu a bolsa para o doutoramento.

“Eu gosto efetivamente do curso e abriu-me bastantes portas desta área da investigação e do grupo em que estou inserida e dá-me liberdade e a opção de trabalhar nesta área inovadora”, conta.

Trabalhar nesta área, além de desafiante, é prazeroso para a investigadora, pois o sentido de querer ajudar é encarado como uma missão.

“Estas disfunções impactam negativamente a saúde e qualidade de vida da mulher e nós apesar de sabemos qual a percentagem de mulheres que sofrem com a disfunção não sabemos quantos são. O tema ainda é muito tabu, há mulheres que não falam, que acham que é normal e não é de todo”, alerta.

Elisabete Silva chama a atenção: “Este problema impacta a sexualidade da mulher, o seu físico e psicológico e falo convosco para alertar para esse sentido. As mulheres que falem e exponham o problema … sobretudo tem que haver essa abordagem com o médico”.

Vive em Amarante e faz a viagem todos os dias para o Porto. Comenta que “os transportes funcionam relativamente bem e a viagem dá para pensar, para trabalhar e descontrair e eu gosto da minha cidade e de voltar para cá todos os dias”.

O percurso para algo mais inovador está lançado e Elisabete refere: “Estamos a caminhar no sentido correto, mas precisamos de mais”.

Já escreveu muitos artigos científicos quase todos na área do prolapso.  Por agora diz “estar à espera que comecem mais dois projetos e temos mais 400 mil euros para continuar esta investigação”.

“Vai ser um ano desafiador”, considera a investigadora amarantina.

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