O Seminário “Associativismo Cultural – Desafios e Oportunidades,” organizado pelo Grupo de Cantares e Danças de Santa Cruz de Riba Tâmega, a 8 de novembro de 2025 (dia em que o grupo celebrava 40 anos da sua constituição oficial enquanto associação), no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã, reuniu dirigentes, associados e entidades oficiais para uma reflexão crucial sobre o futuro do património e da identidade cultural da região.
O debate, onde se pretendeu abordar o futuro das associações, reforçando o impacto do associativismo cultural, contou com a participação de Carolina Mendes, Stay to Talk Instituto de Imersão Cultural, abordando Inovação e Novas Audiências; Miguel Carneiro, especialista em Desenvolvimento Sustentável, com Financiamento e Captação de Fundos; Pedro Magalhães, mestre em História e Património, com Identidade e Património; Helena Freitas, docente de Educação Especial e Dirigente Associativa, com Gestão e Sustentabilidade. Destacar ainda a presença de Emanuel Mota, do INATEL, Henrique Sousa, presidente da Junta de Vila Meã e Ricardo Vieira, vereador da Câmara de Amarante.
O relatório final destaca que a sustentabilidade do associativismo cultural exige uma transição urgente de um modelo baseado apenas no voluntarismo e paixão para uma gestão rigorosa e formalizada. É imperativo que as associações adotem práticas de gestão transparente e invistam na capacitação de dirigentes.
Neste contexto, foi unânime a conclusão sobre a necessidade de Diversificação Crítica de Fontes de Financiamento, explorando ativamente patrocínios privados, campanhas de angariação de fundos e autofinanciamento, de forma a reduzir a dependência exclusiva de apoios públicos.
Para garantir a continuidade das tradições, o Seminário sublinhou a necessidade de Inovação e Atração de Novos Públicos. É fundamental implementar metodologias e formatos de apresentação inovadores que, preservando a essência do folclore e do património, consigam cativar a juventude para a participação ativa e voluntária.
Esta ligação intergeracional passa também pela Aproximação ao Ensino Curricular, defendendo a integração do património no ensino, de forma curricular ou extracurricular, e a criação de secções juvenis e programas de mentoria.
As intervenções das entidades oficiais confirmaram a relevância do associativismo e reconheceram o papel fundamental das associações na recolha, manutenção e transmissão do património material e imaterial que identifica o território.
O relatório conclui que as Entidades Oficiais têm um papel fundamental na concretização e apoio à implementação das ações futuras. O Grupo de Cantares e Danças de Santa Cruz de Riba Tâmega propõe agora a transformação da reflexão em projetos concretos, nomeadamente:
- A criação de um Grupo de Trabalho Inter-associativo para partilha de recursos e estratégias.
- A organização de Ciclos de Formação em gestão e liderança para dirigentes associativos.
- A elaboração de uma Proposta-Piloto para a integração do património no ensino.
O sucesso destas recomendações depende agora da colaboração e do diálogo contínuo entre associações e entidades, conforme sublinhado pela presença institucional.


