Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes. Albert Schweitzer
Gostaria de falar da época natalícia que se aproxima e que, como poderemos constatar na programação noticiada, já aquece a alma da nossas gentes, unindo os que dão e os que recebem, criando uma dinâmica de boa disposição fraterna e elevando os ânimos. É o conceito de comunidade, de partilha, de união que perdura e que é preciso enaltecer. Relativizemos a ideia de consumismo que inevitavelmente se lhe associa, porque o valor da comunidade prevalece, como dizia. Porém, e influenciada por esse conceito de partilha e de entrega, não posso deixar de manifestar o meu repúdio por uma situação noticiada há poucos dias: a violação de um jovem iniciante a bombeiro por parte de onze colegas da mesma cooperação. O mundo de facto está louco! Ou as pessoas perderam completamente a noção da sua humanidade, ou desconhecem o respeito pelo outro. Ouve-se falar dos excessos cometidos nas praxes, condenáveis por excederem muitas vezes os limites do razoável, mas a questão aqui é a dimensão da crueldade. Uma violação grupal, só porque sim, só porque se quer fazer parte do grupo, só porque se quer ser aceite! A notícia não identificou os agressores, obviamente, mas não se tratará de um grupo de adolescentes (embora também aqui o crime fosse igualmente indesculpável)! Para agravar a situação, e isto é mais surpreendente ainda – aconteceu entre bombeiros! De acordo com o dicionário, um bombeiro é um indivíduo de uma organização especializada no combate a incêndios e em salvamentos, como resgates em acidentes ou desastres naturais. Que exemplo é este? Penso que todos nós elogiamos o trabalho e o espírito de sacrifício, o altruísmo dessa gente que está presente quando solicitada, assegurando o apoio de que todos nós precisamos. Somos imperfeitos, dir-se-á. Mas faça-se justiça! Ninguém pode ficar indiferente.
Partilhamos valores para uma melhor socialização, apelamos para a fraternidade e para o bom senso, para a justiça social, para a liberdade, para a aceitação. E na prática, o que acontece? Estas situações envergonham a humanidade que habita em todos aqueles que repudiam atitudes execráveis e destruidoras do que há de melhor no homem, a sua pessoalidade.
Será que neste mundo cão, precisamos de ser leões para não sermos perseguidos ou comidos como coelhos?
É uma notícia hedionda esta, como tantas outras, infelizmente, que ensombram o nosso Natal. Assim, façamos, próximo de nós, o melhor que pudermos e aprendamos a elogiar os que merecem elogios e aplausos, porque também os há, de certeza.


