Ana Jotta Prémio Amadeo
Foto: CM AMARANTE

Ana Jotta recebeu Prémio Amadeo de Souza-Cardoso

O Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso foi entregue a Ana Jotta no passado sábado, dia 21 outubro, numa sessão solene que teve lugar no salão nobre dos Paços do Concelho da Câmara de Amarante.

A artista plástica inaugurou a exposição “Comer e Existir”, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (MMASC), que estará patente até 3 de março de 2024. Na mostra apresenta um conjunto de écrans de projeção pintados, nos quais formigas devoram sobremesas enquanto contemplam uma paisagem de Amadeo. A envolver alguns detalhes arquitetónicos da sala, a iguaria tradicional de Amarante, ligada aos rituais fálicos e de fertilidade de São Gonçalo, irá relacionar-se com o trabalho da artista e uma obra de Amadeo de Souza Cardoso, “Sem título (Paisagem)” (1912).

Pensada e realizada para Amarante, a exposição de Ana Jotta é, de acordo com os curadores Lígia Afonso e Samuel Silva, “uma elegia radical ao prosaico, ao mínimo insignificante, um lugar de atenção à essencialidade da vida: dormir e trabalhar, comer e existir”.
No sábado foi ainda entregue o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso à dupla Mariana Caló e Francisco Queimadela, pela obra “Subir e sumir”, filme em 16mm transformado para digital. Já o Prémio de Aquisição do Grupo dos Amigos da Biblioteca-Museu foi entregue a Tiago Madaleno, por “Luz de Setembro”, óleo sobre tela.

Recorde-se que Ana Jotta (1946) sucede a Eduardo Batarda, vencedor do Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 2019. Trata-se de um prémio aquisição, no valor de 30 mil euros, que confere a integração de uma obra de arte da artista na coleção do MMASC.

O júri, presidido por Raquel Henriques da Silva (Historiadora de Arte e Professora Catedrática Jubilada), e composto por Laura Castro (doutorada em Arte e Design), Lígia Afonso (Investigadora do Instituto de História da Arte, doutorada em História da Arte), Samuel Silva (Artista Plástico e Professor), e Rosário Correia Machado (Diretora do Departamento da Cultura da Câmara de Amarante) referiu, em ata: “O Júri deliberou, por unanimidade, nomear Ana Jotta (1946) como vencedora do Grande Prémio Amadeo de Souza Cardoso pelo carácter radicalmente inventivo e profundamente singular do conjunto da sua obra no contexto da produção artística contemporânea. Autónomo, libertário, incoerente, avesso, inesperado, pessoal, em permanente rutura com os lugares-comuns e consigo mesmo, o trabalho de Ana é sempre tão jovem quanto os jovens artistas cuja obra inspira.”

Premiados entre 15 artistas selecionados entre as 489 candidaturas, num total de 970 obras – que se inscreveram na open call realizada e abril e maio –, os vencedores dos prémios integram a exposição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, patente até 4 de março de 2024 no MMASC. Com curadoria de Lígia Afonso e Samuel Silva, a mostra apresenta ainda obras de Catarina Real; Daniel Moreira e Rita Castro Neves; Daniel V. Melim; Francisco Venâncio; João Marçal; Luís Silveirinha; Maria Trabulo; Mónica Baptista; Nuno Henrique; Paulo Brighenti; Rita Ferreira; Rita Senra e Virgínia Mota, que se juntam aos premiados Mariana Caló e Francisco Queimadela, e Tiago Madaleno.

O/a artista premiado/a com o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso recebe 12.500 euros e será convidado/a a realizar uma exposição temporária individual, com catálogo próprio, no MMASC. O/a vencedor/a do Prémio do Grupo dos Amigos da Biblioteca-Museu recebe 7.500 euros e poderá realizar uma Residência Artística em Amarante, de acordo com o regulamento da Casa da Torre (Residência Artística de Amarante).