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“Estamos a passar por uma grande transformação no tecido empresarial”

Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados 

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, numa entrevista que concedeu ao Jornal de Vila Meã, acentuou o papel determinante dos contabilistas durante o difícil período de pandemia e o importante apoio que prestaram nas empresas. 

“Os contabilistas garantiram que as empresas usufruíram de todos os apoios. Se não fossem os contabilistas certificados os apoios não tinham chegado às empresas e isso foi fundamental, numa altura em que se perspetivavam meses demasiado difíceis, acabaram por não o ser, porque os apoios foram céleres a chegar com muita pressão da Ordem dos Contabilistas Certificados”, afirmou. 

“Os profissionais, são hoje, inegavelmente, os agentes económicos mais capacitados e que melhor apoiaram o tecido empresarial durante a pandemia. Somos vistos pela sociedade civil, tecido empresarial e poder político, como os mais confiáveis, tecnicamente conhecedores e preparados profissionais da área económica e financeira. Somos os agentes que mais permanente valor acrescentam aos seus clientes e que mais rapidamente encontram soluções para os problemas e questões dos contribuintes. Somos agentes de interesse e fé pública, sinónimo de transparência e credibilidade, o nosso valor é imensurável”, acentuou. 

Para a bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados os “contabilistas tem que estar mais tempo nas empresas, tem que ter menos empresas, menos clientes e melhores avenças. As empresas não precisam de um contabilista a tempo inteiro, nem têm porventura capacidade financeira para isso, mas precisam de ter o contabilista mais tempo e se assim não for, não vão ter sucesso, não vão conseguir ultrapassar todas as dificuldades”. 

Sobre o momento atual, Paula Franco entende que a “economia está a sofrer uma transformação muito grande”, reforçando que “este impasse político não ajuda, estamos num pós pandemia em que as empresas estão na sua retoma e de repente fomos impedidos de ter um orçamento de estado que permitisse uma continuidade de recuperação estável”.  

“Há preocupação nas empresas, mas não podem parar, dentro do que têm, devem ultrapassar os obstáculos e ainda que o impasse político exista, tentar continuar a valorizar o seu negócio, a reinventarem-se e a trabalhar”, considerou.  

“Estamos a passar por uma grande transformação no tecido empresarial português pós-pandemia e as pandemias e estas crises profundas não têm só coisas más, a aceleração que existe a seguir no momento da retoma é positiva. As empresas portuguesas têm que aproveitar este balanço para estarem num patamar completamente diferente. Têm de ser mais competitivas a nível europeu e sentirem que o mundo é global e, como tal, dedicarem-se ao exterior. Mas esse posicionamento das empresas, se não for acompanhado por profissionais, por contabilistas certificados será um caminho mais débil e mais difícil”, reforçou, evidenciando que é importante posicionar os contabilistas, como consultores ao lado das empresas. 

Perspetivando o futuro “o grande problema que vamos ter que lidar no próximo ano prender-se-á com falta de matérias-primas, falta mão de obra e aumento generalizado preços, obrigando as empresas a reajustar as margens”. 

“Preocupa-me a inflação próximo ano e o impacto que vai ter em todos os serviços, mas um período de inflação também pode ter vantagens económicas, saibamos nós aproveitar estas situações”, ressalvou Paula Franco. 

Eleita bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados em 2018, Paula Franco volta a candidatar-se para um novo mandato em ato eleitoral que se realiza neste mês de novembro. 

“Acreditamos que o Contabilista Certificado é hoje um ator chave na relação com o contribuinte, a Autoridade Tributária e o poder político e por isso temos trabalhado arduamente para melhorar processos e ir ao encontro das necessidades dos nossos membros”, concluiu. 

Para os próximos anos considera que é determinante “ter um manual de procedimentos para que os contabilistas certificados tenham uma orientação comum”. 

“Uma das nossas prioridades é elevar a profissão, elevar o rigor e a qualidade, com vista a que esse rigor e essa qualidade sejam reconhecidos pelos empresários e pelos clientes. É muito importante que a simbiose entre o cliente e o contabilista certificado tenha um futuro diferente. Um futuro de proximidade, de parceria, em que o contabilista certificado tem que ter claramente mais tempo para o seu cliente e o cliente também tem que perceber que tem de dispor de mais recursos para que o contabilista certificado o acompanhe mais”, adiantou numa entrevista publicada no Jornal I.