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Sem poesia, Prémio internacional

Prémio internacional excelência educativa entregue a Cidália Fernandes

A professora e escritora vilameanense, Cidália Fernandes, foi distinguida, no início deste ano, com o prémio internacional César Vallejo 2020, atribuído pela Union Hispanomundial de Escritores.
Cidália Fernandes recebeu, no âmbito deste prémio internacional, atribuído por uma associação composta por intelectuais, artistas, docentes e profissionais de várias áreas com intervenção na comunidade, em defesa da paz e da justiça social, mérito de excelência educativa.
O Jornal de Vila Meã quis saber mais sobre esta distinção e auscultar junto de Cidália Fernandes a reação a tão importante reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na cultura de excelência educativa.

Recebeu recentemente mais uma distinção, o prémio César Vallejo, Excelência Educativa, 2020. Como acolheu esta tão prestigiada distinção e o que representa para si este prémio de excelência?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Grupo da Unión Hispanomundial de Escritores, na pessoa do seu dirigente mundial, escritor e presidente Fundador da Organização, Dr Carlos Hugo Garrido Chalén, bem como à delegação portuguesa por me incluir nos nomeados deste prémio.

É habitual dizer-se que Deus tarda, mas não esquece; este é o resultado de um reconhecimento de anos e anos de dedicação ao estudo e à partilha, pois não há ensino sem aprendizagem, quanto mais não seja por parte daquele que ensina. Ensinar é partilhar; um prémio fala e diz que, afinal, não estamos esquecidos nem somos ignorados. Fica a sensação de ter valido a pena o esforço e a dedicação.

Esta é mais uma distinção numa carreira literária e de pedagoga muito preenchida. Olhando para todo este tempo, com certeza repleto de muitas e boas histórias, como se sente?

A responsabilidade cresce. Num determinado momento da nossa vida, façamos o que fizermos, acabamos por sentir alguma frustração, porque não somos ouvidos, porque não somos compreendidos; muitas vezes, os intervalos entre as pequenas realizações a que chamamos felicidade vão-se acumulando e alongando e a frustração bate-nos à porta, o desânimo cresce; um prémio vem despertar-nos e estimular-nos para seguir em frente, porque alguém considerou que afinal a nossa missão não está a ser em vão.

Fale-nos um pouco dos mais recentes projetos e do que está a fazer neste momento.

A minha mãe costumava servir-se de um aforismo que me acompanhou a vida inteira e me influenciou sobremaneira: dá que fazer a quem tem muito que fazer. Desta forma, digo, desde já, que tenho muita dificuldade em dizer não, quando percebo que é válido e pertinente o projeto ou o convite que me apresentam. Neste momento, como ainda sou professora do ensino secundário, não posso entregar-me aos projetos literários por inteiro. Aguardo que as condições pandémicas me permitam dar continuidade ao Projeto de Escrita Criativa que iniciei em 2018 no concelho de Penafiel, direcionado para alunos do 1º, 2º e 3º ciclos. Está quase pronto um livro infantojuvenil que aborda este contexto em que vivemos, multilingue (português, inglês, francês e espanhol); chama-se “Era uma Vez o azul” e será publicado em breve. Terminei também um romance e vou engordando o meu diário com desabafos, comentários, análises e essencialmente com poesia. Tenho mais um livro de poesia pronto para publicar, também. Participei ainda num projeto da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, um livro de contos lidos e com acompanhamento musical.

E projetos para futuro, está a preparar algo que nos possa revelar?

Os meus projetos de futuro são sempre o prolongamento das atividades do presente. Nelas entra inevitavelmente a escrita, que me proporciona a tranquilidade necessária para respirar e para me sentir integrada no universo que me rodeia.

Como olha para este tempo de pandemia e confinamento, que implicações pode ter na educação, na estabilidade dos mais novos e seus educadores, que mudanças provocará?

É um tempo de reflexão para muitos, para outros de revolta latente. A paciência é uma arte que se aprende aos poucos, demora sempre algum tempo dominá-la. Em termos comportamentais, extremaram-se as posições e tudo ficou mais transparente, ou mais baço, não sei, depende da perspetiva. Numa situação de crise, revela-se sempre o pior e o melhor que há no ser humano. É assim há muitos séculos. Penso que este tempo estabelece uma nova era. Parece que tudo fica igual, mas não é verdade, acima de tudo espero que seja um tempo que permita abrir as consciências para as problemáticas sociais e ambientais. Mas acho que ainda ninguém conhece a verdadeira dimensão deste problema. Fala-se muito, especula-se muito, como habitualmente, e escasseia a reflexão profunda. Os jovens têm de perceber, deveriam perceber, que são eles os verdadeiros agentes da mudança. Nós somos apenas o trampolim e estamos aqui para os apoiar.

E os escritores, os livros, a cultura, o que ficará para lá deste tempo tão incerto?

Sem livros, a humanidade não sobrevivia, porque ninguém vive sem passado. Assim sendo, eles têm de assumir um papel cada vez mais importante e mais ativo, na construção do futuro. Temos de ser criativos e abrir as oportunidades para que eles possam continuar a registar a sua, a nossa história.

Deixe-me, em jeito de conclusão desta nossa pequena conversa, propor-lhe um desafio que pretendemos lançar na discussão pública.
Na sua área e entendimento que horizonte podemos perspetivar para Vila Meã 2030?

Se me colocar essa questão daqui a meio ano, talvez lhe possa responder com mais assertividade e segurança, pois acredito que nessa altura a crise pandémica já estará controlada, neste momento, é prematuro responder. Precisamos de paciência, como disse, e não podemos cruzar os braços. Temos de seguir em frente.

PRÉMIOS MUNDIAIS CÉSAR VALLEJO 2020 PORTUGAL
  • À EXCELÊNCIA EDUCATIVA:
    • Cidália Fernandes
  • À EXCELÊNCIA CULTURAL:
    • Delmar Maia Gonçalves
  • À EXCELÊNCIA LITERÁRIA:
    • Gisela Mendonça
    • Isilda Nunes
    • João Rasteiro
    • Paulo Abreu Lima
  • À EXCELÊNCIA ACADÉMICA:
    • Rui António Agonia Pereira
  • À EXCELÊNCIA ARTÍSTICA:
    • Escultura/Pintura – Afonso Pinhão Ferreira
    • Cantautor – Álvaro Maio
    • Teatro – Aurora Gaia
    • Dança – Carolina Costa
    • Cantautor – Nuno Barroso
  • À EXCELÊNCIA JORNALÍSTICA:
    • Rádio – André Rodrigues
    • TV – Fátima Campos Ferreira
    • Imprensa – Sérgio Almeida
  • À EXCELÊNCIA NA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS:
    • Teresa Ribeiro
  • À EXCELÊNCIA NA DEFESA DA PAZ COM JUSTIÇA SOCIAL:
    • Lídia Praça
    • Odete Costa