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AE Vila Meã comemora 20 anos de consolidação do associativismo empresarial

A Associação Empresarial de Vila Meã assinalou 20 anos de existência numa sessão evocativa que reuniu, no palco do Cine-Teatro Raimundo Magalhães, fundadores, diretores, equipa técnica, autarcas locais, o presidente da AE Amarante e o vereador André Magalhães, em representação do presidente da Câmara Municipal de Amarante.

No dia em que, há 20 anos, a AE Vila Meã abriu portas, proporcionou-se um momento de encontro e conversa, onde se revisitou os propósitos da sua criação, a importância da intervenção e ação nesta região, as dinâmicas desenvolvidas, as reivindicações que continuam atuais e olhou-se o futuro com determinação e esperança, na certeza de que o movimento associativo empresarial gerado foi essencial para o desenvolvimento económico e social.

Na década de 90 gerou-se um forte espírito associativo em Vila Meã

Apesar do contexto e das contingências decorrentes da pandemia, entendeu-se, com todas as medidas de segurança, assinalar a data numa tertúlia com alguns dos principais intervenientes na história e atualidade da associação, bem como alguns parceiros que, cada qual no seu domínio, contribuem para o fortalecimento da intervenção que reconhecidamente se tem empreendido na região. Foi também a manifestação de que é possível resistir e reagir às adversidades desta pandemia.

Neste encontro evocativo dos 20 anos da AE Vila Meã os fundadores estiveram representados por Eduardo Queirós, Raimundo Carvalho, António Moreira e Fernando Magalhães, recordando a iniciativa, dinâmica e entusiasmo gerado à volta da constituição da associação empresarial, impulsionada pela onda associativa gerada à volta da então Associação Cívica para a Criação do Concelho de Vila Meã.

“Na década de 90 gerou-se um forte espírito associativo em Vila Meã. Nessa altura foram criadas várias associações, nomeadamente esta com um forte impulso do Eng. Ismael Mendes, um empresário de Vila Meã que sentia necessidade de termos um organismo capaz de apoiar e incentivar a criar novas empresas, para além de ser capaz de proporcionar formação qualificada aos trabalhadores e impulsionar o movimento empresarial”, referiu Eduardo Queirós, enaltecendo a influência e determinação do Eng. Ismael como “o grande entusiasmador desta ideia”.

“O Eng. Ismael foi a alma, o catalisador de todo este empreendimento”, reforça Raimundo Magalhães, ressalvando que “Vila Meã sentia-se uma periferia dos centros de decisão”.

“A adesão foi enorme, a ambição era muito grande, o projeto fundamental desde o início, pela falta que sentíamos e continuamos a sentir em Vila Meã, assentou na criação de uma zona específica que pudesse ser considerada como a verdadeira Zona Industrial de Vila Meã”, comentou, considerando que esta é uma justa reivindicação e que continua a fazer sentido.

“Cabe ao município também a responsabilidade de tomar a iniciativa no sentido de, correspondendo às aspirações e manifestações concretas das vontades das populações, desenvolver os esforços necessários para dotar esta zona de uma zona empresarial”, frisou.

Para António Moreira “a criação da Associação Empresarial, sobretudo no momento em que foi constituída, foi um grande passo para Vila Meã”.

“Foi um passo bem dado para que hoje os empresários e todos aqueles que estejam motivados para continuar esta associação, possam torná-la cada vez melhor e maior para bem de Vila Meã”, anotou, acentuando o envolvimento do Eng. Ismael Mendes, que liderou as primeiras direções com uma capacidade galvanizante.

Cada um por si não conseguimos obter os mesmos resultados

Para o atual presidente da direção, Geraldo Oliveira, que sucedeu na liderança o Eng. Ismael Mendes, a herança foi profícua e, ao longo destas duas décadas, a AE Vila Meã tem assumido um papel determinante no desenvolvimento concertado da região.

“Passaram 20 anos e neste tempo já muita coisa foi feita, mas Vila Meã precisa de muito mais e tem que haver esta união de todas as pessoas, e cada vez mais, embora esta pandemia nos queira afastar, deveremos pensar, nomeadamente na parte empresarial, que cada um por si é muito mais difícil do que todos juntos”, comentou.

“Fui incentivado para assumir a presidência da AE Vila Meã, do qual muito me orgulho, embora muitos sabem o tempo que isto nos tira, mas sendo um trabalho voluntariado assumi esta responsabilidade também pela necessidade que já sentia em querer ajudar a dinamizar esta região”, referiu, revelando que na formalização da primeira direção logo procurou envolver os mais jovens nesta dinâmica associativa que se tem revelado muito estimulante.

Para o veterinário Domingos Amaro, diretor da associação, Vila Meã é um local estratégico para Amarante e para a região e isso reflete-se nas empresas que aqui se instalam.

“Este movimento associativo é importantíssimo, é uma forma de todos os empresários, seja do comércio, serviços ou indústria, terem uma representação comum”, comentou, reforçando que tem sido um trabalho gratificante.

“Cada um por si não conseguimos obter os mesmos resultados. Se estivermos todos juntos, associados, a lutar por interesses comuns, o resultado é completamente diferente”, referiu, salientando que todos temos que dar um pouco de nós para que isto evolua.

Para o empresário agrícola José António, “a associação é dinamizadora da partilha de conhecimento entre empresários”.

Já para Paulo Moreira “a associação veio dinamizar o comércio, sobretudo através dos eventos, que as pessoas aderiram e apreciaram muito essas iniciativas”.

Para Hugo Magalhães, elemento da direção, a “AE Vila Meã continua a ter um papel muito importante”.

Por sua vez, Helena Santos realça a partilha entre empresários proporcionada por este movimento associativo que em muito tem contribuído para o alargar de horizontes empresariais.

“A troca de ideias com colegas tem-me alargado a visão, pois sou uma pequena empresa. A própria associação, através da formação, tem-me ajudado bastante, proporcionando-me mais conhecimento. A troca de ideias tem sido muito boa e gratificante. Sem dúvida que tem sido uma mais valia”, considerou.

Temos tido sempre uma atitude muito genuína, muito livre

Sempre presente, praticamente desde o início da AE Vila Meã, a diretora técnica, Rosário Meneses, destaca a competência, empenho e ambição de todos quantos, ao longo destas duas décadas, integraram os corpos sociais daquela associação.

“Das várias direções há sempre o mesmo espírito, muito assente na paixão pela terra onde se situam os negócios, onde residem. Temos elementos de uma segunda geração que realça que o associativismo está no ADN e passa de pais para filhos”, especifica Rosário Meneses, revelando que “tem sido muito gratificante fazer parte desta associação, aprendi imenso”.

A diretora técnica da AE Vila Meã destaca a importância e legado deixado pelo Eng. Ismael Mendes, fundador e primeiro presidente da associação, enaltecendo a sua exigência: “Tive um grande mestre, o eng. Ismael. Quem o conheceu sabia que não era muito fácil trabalhar com ele, precisamente pela exigência, pois sempre exigia paixão, preparação e isso foi importante, porque essa preparação é aquela que, enquanto associação, passamos de direção para direção”.

A constante exigência e preparação norteiam, revela, o modo de ação na Associação Empresarial de Vila Meã. “Tentamos que cada iniciativa, evento, intervenção da associação, por mais simples, seja bem preparado”, anota.

E acrescenta: “O nosso objetivo é fazer com que os empresários, que estão na associação, associados, sejam eles a brilhar. Perceber quais são as caraterísticas de cada um, qual é o negócio e perceber como dar valor, preparar-se, para transmitir melhor o seu negócio. Tentar que nos eventos também promovam os seus negócios”.

“Desde o início que começamos com formação profissional nos ativos, desempregados, mas também formação orientada para as empresas, como é o caso da formação/ ação. Toda esta formação é importante para abrir a mentalidade das pessoas, colocá-los um ao lado dos outros proporcionando encontro e conhecimento e até como oportunidade de gerar negócio”, ressalva, adiantando que a AE Vila Meã tem “projetos muito ambiciosos, cada vez mais temo-nos candidatado a projetos com uma dimensão de grande alcance”.

Temos reparado da parte das empresas uma grande necessidade de pessoas qualificadas

Sobre a intervenção da associação, Rosário Meneses entende que “temos tido sempre uma atitude muito genuína, muito livre”.

Consolidar é a perspetiva para o futuro: “Uma grande luta nestes últimos anos é tentar evitar a perda de pessoas, temos que inverter esta situação, interagir para que realmente organizemos aqui alguma estratégia para reter pessoas numa zona que é dos locais em que se tem grande qualidade de vida”.

Responsável, há cerca de 19 anos, primeiro por uma UNIVA (Unidade de Inserção na Vida Activa) e, desde 2015, pelo GIP (Gabinete de Inserção Profissional) na AE Vila Meã, Delfina Carvalho, salienta que esta associação já trabalha a questão do desemprego praticamente desde a sua criação.

“Temos reparado da parte das empresas uma grande necessidade de pessoas qualificadas”, realça, reforçando o esforço da associação em disponibilizar formação a desempregados para maior qualificação profissional das pessoas.

Mesmo assim, esclarece Delfina Carvalho, na área de influência de Vila Meã tem-se verificado falta de pessoas para preencher determinadas ofertas de emprego, obrigando a alargar o âmbito territorial de recrutamento ao concelho de Amarante e freguesias limítrofes.

Nos últimos meses, revela, tem-se verificado um aumento incrível de desemprego, sobretudo mulheres.

Quanto ao trabalho no GIP registam-se quase meio milhar de atendimentos por mês, reconhecendo que “as empresas veem a associação como um apoio qualificado”.

Numa intervenção final o presidente da AE Vila Meã, Geraldo Oliveira, acentuou a importância do movimento associativo, nomeadamente aquele que corporizam no âmbito empresarial, e reafirmou a experiência, conhecimento, utilidade prática das associações empresariais ao serviço da comunidade.

“Foram criadas instituições, novas associações, nestes últimos anos, para fazer o que as Associações Empresariais do concelho já faziam. Estou a falar concretamente do IET ou do InvestAmarante, que é um duplicar de recursos para fazer o mesmo trabalho que nós, enquanto organismo especializado, podíamos fazer e já tínhamos muito mais experiência e conhecimento”, referiu.

Também o novo presidente da Associação Empresarial de Amarante, Bruno Costa, corroborou da importância que as associações empresariais, nomeadamente no contexto atual, assumem.

“As associações têm um papel muito importante, todos juntos conseguimos fazer algo e por isso é que é necessário unirmos esforços e lutarmos todos pelo mesmo objetivo, cada um com as suas ideias e ideais”, salientou.