fbpx
Sara Pinto

Conversas na Linha com Opticalia de Amarante – Sara Pinto

Atendendo à realidade que vivemos atualmente, devido à pandemia que atingiu todo o mundo, a Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM), com o envolvimento da equipa dos diversos serviços que detém, mobilizou-se para dar voz aos desafios que os empresários do nosso concelho estão a viver. Sara Pinto é responsável pela Opticalia, em Amarante.

Nesta “Conversa em Linha” comenta o momento atual e as consequências na economia, provocadas pelo abrandamento abrupto da atividade perante a ameaça desta pandemia e consequentes medidas de confinamento para evitar a propagação do vírus Covid-19.

Jornal de Vila Meã – Como está a viver este momento? 

Sara Pinto – Para mim foi uma situação um pouco mais complicada, porque tive um bebé nesta fase, ou seja, o meu confinamento foi ainda mais obrigatório e continuo assim. Tenho-me mantido muito por casa, vou às lojas um bocadinho menos do que gostaria. O que tenho feito é realmente estar em casa e as saídas são mesmo apenas para as compras essenciais, no comércio local, que foi uma das coisas que conseguimos talvez aproveitar mais com esta situação. Percebemos a qualidade que temos no nosso comércio local. 

JVM – Como está a reagir o seu negócio? 

Sara Pinto – Antes de ser decretado o Estado de Emergência e todas as restrições que foram impostas pelo Governo, decidimos encerrar as portas a 17 de março. Nessa altura, já estávamos a sentir quebras em termos de faturação. Já tínhamos uma quebra a rondar os 60% comparado com o ano anterior. Havia perda de movimento na rua, ou seja, menos clientes a entrarem nas lojas. Por isso, tomámos essa decisão, para salvaguardar a nossa equipa e os nossos clientes. 

Neste momento é levar o dia-a-dia, estamos a recuperar aos pouquinhos. Reabrimos também um bocadinho mais tarde do que muita gente, apesar de sermos nós uma área em que podíamos ter mantido as portas abertas ao público, porque somos considerados bens essenciais. O que nós fizemos no período em que tivemos as portas encerradas foi as marcações. Não tivemos nenhum cliente que ficasse sem ser atendido ou com algum problema como quebra de óculos ou problemas com as lentes. Fizemos esse atendimento presencial apenas por marcação, com todos os cuidados que precisamos de ter em termos de segurança, até perceber como poderíamos abrir portas. Fizemos entregas ao domicílio, mantendo sempre o contacto com os clientes enquanto estivemos fechados, mas com outras restrições para as quais não estávamos preparados na altura.

JVM – O que pensa acerca das medidas tomadas pelo Estado? 

Sara Pinto –  Para lhe ser sincera, a gestão não é a minha área, em termos de formação. Eu sou formada em Optometria e vou-lhe dar a minha opinião a nível pessoal.

Na minha opinião, são muito insuficientes. Estão longe de ajudar realmente as empresas a aguentarem-se. Com certeza, infelizmente, vai haver muitas pequenas empresas a não conseguirem aguentar ou suportar este tempo encerradas por causa das quebras que vamos ter. Eu acho que a única solução, a meu ver, seria dar uma ajuda em termos de cargas fiscais, ou seja, a carga fiscal teria de reduzir muito para se conseguir suportar e de uma forma mais prolongada. Acho que as ajudas que foram dadas em termos de lay-off e os financiamentos a nível bancário não são de todo suficientes.

Nós, felizmente, para já, conseguimos aguentar estes meses que estivemos fechados. Tivemos que recorrer às ajudas a nível de financiamento, mas a questão é que, apesar da burocracia ser muito menor do que era anteriormente, desengane-se quem acha que isto foi um processo rápido. São processos muito demorados e felizmente nós tínhamos uma boa “almofada” para aguentar os custos enquanto estivemos encerrados, mas temos a perfeita noção de que há muitas empresas que podem não conseguir suportar e os custos continuam a aparecer. Apesar de tudo, temos de cumprir com as nossas obrigações, porque senão entramos numa “bola de neve”. Nós não recebemos, mas também se não pagarmos vai haver ainda mais empresas a ter dificuldades acrescidas.  

JVM – Como pensa contornar as dificuldades que possam surgir?

Sara Pinto – Tivemos obrigatoriamente de nos adaptar a esta nova realidade. Para nós, que somos da área da saúde, o mais difícil de perceber foram as noções de segurança que tínhamos de ter, ou seja, implementar todos esses hábitos diários. Temos, neste momento, um processo de desinfeção quer a nível pessoal, quer a nível da loja, entre cada um dos clientes. Por muitos cuidados que já houvesse, temos de ser muito mais rigorosos e lidamos diariamente com saúde. O mais importante para nós foi implementar esse comportamento de imediato.

Em termos de aguentar a empresa, digamos assim, eu acho que o segredo vai estar na proximidade que temos de dar ao cliente. Mostrar-lhe que tem toda a segurança para vir às nossas lojas e temos a certeza que sim, que estamos a adotar todos os procedimentos necessários para que as pessoas estejam confortáveis e não corram qualquer risco em dirigirem-se às nossas lojas e esse foi o nosso primeiro foco.

A nível de procedimento de vendas, que isso é o que nos gera dinheiro, não estamos a aproveitar-nos desta situação. Continuamos com as campanhas que já tínhamos. Temos novidades e melhorias de produtos que se adequam a esta nova realidade que vivemos e acho que esse é o segredo, que é continuarmos a mostrar às pessoas que temos os melhores produtos aos melhores preços para que possam a continuar a ter o que necessitam diariamente. Oferecemos facilidade nos pagamentos, que neste momento é muito importante para as famílias, porque sabemos que a nível de orçamentos as pessoas estão a passar uma fase mais difícil. Este é o nosso foco, trabalhar mais e melhor, para que o cliente sinta a confiança e continue a poder contar connosco diariamente. 

JVM – Que mensagem gostaria de deixar aos seus clientes e comunidade em geral?

Sara Pinto – Para os clientes diretamente, é o que acabei de dizer. Nós estamos realmente preocupados e essa foi sempre a nossa maior preocupação, desde que se começou a falar da COVID-19, termos a certeza absoluta de que temos as lojas com segurança e isso conseguimos garantir porque compramos tudo o que é necessário, quer a nível de produtos, quer a nível de equipamentos de proteção individual. Temos máscaras para oferecer aos nossos clientes caso não tragam, ou seja, pequeninas coisas para terem a certeza de que podem entrar com toda a segurança. Continuamos a dar preferência às marcações para que possamos manter o distanciamento entre os clientes e a desinfeção necessária de toda a loja e de todos os produtos, de todos os óculos que são experimentados. 

À população em geral, só queria pedir que continuassem a ter os máximos cuidados.  Todos nós estamos fartos de estar em casa, é cansativo realmente estar tanto tempo isolados e estarmos afastados dos nossos amigos e da nossa família. Falo por mim, porque tenho um bebé prestes a fazer 3 meses que ainda não conhece praticamente a família e isso custa-nos imenso, mas é um esforço que todos nós temos de fazer. Eu acho que é realmente importante começarmos a desconfinar, a sair, a consumir, mas com todos os cuidados e com todas as precauções. A utilização da máscara para mim é essencial, sempre foi desde o início, mesmo antes de ser obrigatório e acho que as pessoas devem realmente mentalizar-se disso. Custa, está calor e é muito sufocante utilizar a máscara, mas eu tenho a certeza de que, se todos fizermos um esforço, as coisas correrão muito melhor. As questões de higiene, tenham todos os cuidados que tivemos desde o início e, se todos dermos o exemplo, acho que vamos conseguir todos ultrapassar isto. Eu sou otimista por natureza, mas sem fazermos esforços todos, a coisa vai complicar. Estamos a ter o exemplo, nestes últimos dias, que temos tido notícias menos boas, infelizmente. 

JVM – Gostaria de acrescentar algo mais que considere importante? 

Sara Pinto – Sim, só felicitá-los pela iniciativa que têm tido, por estas conversas e mesmo pelas notícias. Penso que o Jornal de Vila Meã está a trabalhar bem. Deixar um agradecimento especial por me terem convidado também para dar a minha opinião que vale o que vale, mas é a realidade que eu vivo. E deixar um abraço virtual para toda a gente. Que tenham cuidado e mantenham-se em casa sempre que possível, por favor.