A barragem de Daivões apenas começará a encher em junho de 2020, mas as pessoas têm sido intimadas a sair de casa em outubro, novembro e dezembro de 2019. Para Ana Brazão, do GEOTA, “os relatos das famílias afetadas evidenciam situações de desespero, com pressões para um acordo rápido, a meses de abandonarem os seus lares. Temos inclusive relatos de ameaças a quem contestasse os valores propostos pela Iberdrola”.

O GEOTA enviou uma queixa ao IGAMAOT sobre o incumprimento das medidas a que a Iberdrola se comprometeu para construir as barragens do Sistema Eletroprodutor do Tâmega. Nela refere os desalojamentos forçados, atropelos éticos, sociais e ambientais.

“A construção de uma casa pode durar muito mais de dois anos. No entanto, foi apenas durante este tempo que a Iberdrola se comprometeu às famílias a pagar o aluguer dos contentores onde as realojará. Enquanto membros da Comissão de Acompanhamento Ambiental, já falamos deste problema há mais de um ano, exigindo que haja uma solução definitiva e acordada com os afetados”, relata a associação de defesa do ambiente.

“Em junho, na reunião que solicitámos à Iberdrola, esta também negou rever o procedimento de aviso de rebentamentos, alegando que as queixas dos locais ao GEOTA resultariam de sugestionamento. A exigência de acompanhamento psicológico às famílias, na qualidade de deslocados ambientais, nem resposta teve”.

Lamentam que os pedidos apresentados à empresa, com conhecimento da Agência Portuguesa do Ambiente, tenham sido menosprezados. Também do Ministério do Ambiente, a quem solicitaram atuação a 15 de novembro, não obtiveram ainda resposta.

O GEOTA desvendou que “apenas muito recentemente assistimos a uma preocupação por parte da Câmara Municipal de Ribeira de Pena em reivindicar um acordo escrito com a Iberdrola que proteja os seus munícipes mais afetados, porque até então não o referia nas reuniões da Comissão de Acompanhamento Ambiental. A sua atuação atempada deveria ter garantidoque não acabariam nesta situação degradante de terem que viver em contentores. Esperamos também que possam utilizar parte das contrapartidas financeiras previstas para apoiar legalmente estas famílias.

Além disso, o GEOTA relata que em setembro a Iberdrola já tinha iniciado a desmatação das margens. Sobre este assunto, Ana Brazão alertou que “faltando tanto tempo para o enchimento da albufeira e atendendo à proximidade da época das chuvas, é incompreensível a decisão de desmatação precoce, que deixa o solo descoberto, sujeito à erosão e destrói antecipada e desnecessariamente habitats”.

GEOTA