Dia 19 de junho, o Jornal de Vila Meã celebra 20 anos de existência

Criado a 19 de junho de 1999, o Jornal de Vila Meã celebra 20 anos de existência. Este meio de comunicação social constituiu, desde a primeira hora, uma mais-valia para a divulgação do que se faz na nossa terra e nas freguesias vizinhas. Constitui também um espaço de memória do que se foi realizando e praticando ao longo destes anos.
Para melhor se compreender como o jornal foi criado, e qual a sua dinâmica, no passado e no presente, perspetivando-a também nos tempos que se avizinham, falamos com a atual Diretora, Professora Cidália Fernandes, com o Dr. António José Queiroz, um dos responsáveis pela sua criação, e com a Dra. Rosário Meneses, responsável pela sua coordenação e desenvolvimento.

Prof. Cidália Fernandes

Diretora do Jornal de Vila Meã

Jornal de Vila Meã – Há quanto tempo integra o Jornal de Vila Meã?
Cidália Fernandes – Integro o Jornal há cerca de ano e meio. 

JVM – Como surgiu o convite para a direção?
CF – Surgiu assim muito de repente, foi uma surpresa para mim. O Presidente da Direção da AEVM, Geraldino Oliveira, veio um dia a minha casa porque precisava de falar comigo. Uma vez que ele fora já meu aluno, pensei que fosse um assunto relacionado com os meus livros, mas era um convite para assumir a direção do Jornal de Vila Meã. E eu aceitei. 

JVM – Como tem sido esta experiência?
CF– Enriquecedora e profícua. Por vezes, não é fácil conseguir gerir o tempo, porque temos um timing para fazer o editorial e para rever o jornal; mas quando se trabalha por gosto, não cansa, como se costuma dizer. É sempre uma aprendizagem, porque eu própria passei a conhecer muito melhor o sítio onde moro há algum tempo. Eu já vivi em Vila Meã durante nove anos, depois deixei, com a família; agora regressei. Ser diretora de um jornal permite-me estar mais perto das pessoas, conhecer mais o que se passa na região. É preciso falar de tudo e de todos.

JVM – Que projeções faz para o Jornal num futuro próximo?
CF – Acima de tudo, o jornal é uma janela aberta; só a fecha quem quiser. Nós só esperamos que as pessoas colaborem, que enviem notícias, que sejam participativas, que sejam críticas também, mas no sentido de orientar este percurso, para o bom caminho, porque criticar apenas por criticar e continuar de braços cruzados não é a melhor forma de agir. Nós precisamos de participantes, precisamos que as pessoas intervenham no jornal, que comuniquem. Se os leitores querem ver as suas coisas divulgadas, têm de se aproximar e vir até nós, porque o Jornal não tem pernas curtas, isto é, só tem pernas longas se os leitores o permitirem; nós vamos onde eles quiserem que vamos.

JVM – Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do Jornal de Vila Meã, no âmbito dos seus vinte anos?
CF – Venham até nós, porque o Jornal é de todos, é do grande, é do pequeno, é das grandes empresas, é das pequenas empresas, é dos estudantes, é dos jovens, é dos mais idosos, é de todas as associações. Os eventos que acontecem na nossa região devem ser divulgados, mas não é fácil aceder a todas as notícias. Cada associação ou organização deve eleger um elemento, talvez, para criar fios de ligação com o jornal, porque o jornal não adivinha tudo. Acho que tem feito um trabalho extraordinário, com altos e baixos, como é evidente, mas tem desempenhado o grande papel que é o de chegar à comunidade.

 

Dr. António José Queiroz

fundador do Jornal de Vila Meã

Jornal de Vila Meã- Em que circunstâncias foi fundado o Jornal de Vila Meã?
António José Queiroz – O jornal fundou-se em junho de 1999, na sequência de um movimento que tinha sido criado em Vila Meã alguns meses antes, a Associação Cívica para a Criação do Concelho de Vila Meã. Fui, durante dez anos, presidente da direção desta Associação. Desde a primeira hora considerei importante haver um órgão que pudesse informar e aproximar as pessoas das nossas intenções e das nossas propostas. Foi nesse contexto que se criou o Jornal de Vila Meã.

JVM – Que papel desempenhou primeiramente o professor António Queiroz?
AJQ – O primeiro diretor foi meu irmão, Joaquim R. Monteiro de Queiroz. A supervisão do jornal, porém, ficara a meu cargo. A partir do sexto número, altura em que o meu irmão deixou essas funções, assumi também o cargo de diretor, que exerci durante quatro anos: de dezembro de 1999 a dezembro de 2003.

JVM – Vinte anos depois, o Jornal atingiu o patamar que previam inicialmente ou existe ainda um caminho a ser percorrido?
AJQ – O rumo deste jornal, como de outros, é sempre o mesmo: chegar aos leitores, às pessoas, levar-lhes informação. Em suma: formar e informar. Penso que é esse o objetivo de qualquer jornal. O Jornal de Vila Meã não foge à regra. Pode informar mais ou menos, conforme as circunstâncias, porque isso depende de muitas coisas, não depende só de quem está à frente do jornal; depende também da própria sociedade civil para quem ele, afinal, se dirige. Isto é, o jornal não é só de quem faz o jornal; é também, e essencialmente, dos leitores.
Nós vivemos num tempo em que os leitores podem e devem intervir: devem colocar questões, devem colocar problemas e o jornal também deve ir à procura dessas questões e desses problemas, levando à sociedade aquilo que efetivamente interessa à sociedade. Um jornal acaba sempre por cumprir a sua tarefa. Se o não fizer não sobrevive. É claro que pode-se sempre fazer melhor. Mas isso depende do tempo e das circunstâncias do tempo em que se vive. Porque nós sabemos hoje, num tempo em que é dominado pelo digital, que é extremamente difícil manter um jornal. Muitos dos jornais tradicionais, em papel, acabarão por desaparecer. O que não significa que desapareçam do convívio dos leitores, porque poderão chegar-lhes por outras vias. Curiosamente, acho que os jornais locais serão aqueles que não vão desaparecer em papel. Espero que isso não aconteça, porque as questões locais são aquelas que interessam primeiro às comunidades e o seu registo em papel é fundamental, porque há um contacto “físico” muito importante estabelecido com os leitores.

JVM – Que mensagem gostaria de deixar, aos leitores do Jornal de Vila Meã, no âmbito dos seus vinte anos?
AJQ – A mensagem é muito simples: que continuem a ler o Jornal de Vila Meã, continuem a levantar questões. Julgo que os empresários da região de Vila Meã têm um papel fundamental, que é também um dever de cidadania: através da publicidade às suas empresas contribuirem para que este jornal possa existir durante longos e bons anos.

Dra. Rosário Meneses

Coordenação e Desenvolvimento do Jornal de Vila Meã

Jornal de Vila Meã – O Jornal de Vila Meã está na tutela da Associação Empresarial há quanto tempo?
Rosário Meneses – O Jornal de Vila Meã está sob a alçada da Associação Empresarial de Vila Meã desde 2005. Já são catorze anos e nós não nos damos conta do tempo passar. Por acaso, como este ano estamos a fazer uma retrospetiva da Associação Empresarial de Vila Meã, percebemos que o jornal e a associação, em termos temporais, têm quase a mesma idade.

JVM – Como tem sido este desafio, à frente dos interesses do Jornal, ao longo destes anos?
RM – Tem sido complicado, tem sido uma luta. Eu não tinha qualquer experiência enquanto profissional, assim como a AEVM. Foi-se ganhando com muitos treinos, experiências, resistência e ingenuidade. A nossa vontade foi sempre manter vivo um projeto que nos tinha sido transmitido. Essa situação, o facto de terem confiado em nós, enquanto entidade, em 2005, criou-nos a responsabilidade de continuar este projeto.

Por vezes, sentimo-nos completamente sós. Em alguns momentos, parece que somos nós contra o “mundo”. O Jornal existe porque teve uma gestão muito firme. Porque resistiu inúmeras vezes aos “egos”. Porque colocou sempre a sensatez, coerência e sentido de justiça, na hora de decidir.
Tanta vez que nos apeteceu “castigar” pessoas e “entidades” completamente irresponsáveis na hora de colocar “suspeitas” em cima do nosso trabalho. Imagine-se… só porque não se coloca a notícia da pessoa, ou entidade no jornal, pessoas que não dão absolutamente nada a este jornal. Mesmo quando poderiam.
Este jornal, desde há 14 anos é essencialmente o resultado do trabalho da AEVM, dos seus colaboradores (Delfina Carvalho, Marta Sousa, Daniel Ribeiro, Profª Cidália Fernandes) da sua direção. Colaboradores que necessitam como todos os outros, de trabalhar para viver. É um projeto colectivo. Resulta da convicta opinião que sem jornais não somos um país democrático. E há muita gente que não quer um país democrático. Estes colaboradores procuram conteúdos, tentam mobilizar apoios financeiros e distribuem porta a porta.
O jornal, sublinho, é privado, de uma entidade privada que disponibiliza os seus recursos técnicos e financeiros próprios. Permite, mensalmente, a visibilidade de muitas instituições, das suas iniciativas, que de outra forma, não a teriam. Não, tão assiduamente, gratuitamente.
A Associação Empresarial de Vila Meã, com o seu jornal, tem estado não só junto de empresas, mas junto da sociedade civil, inúmeras vezes. Em todos e posso dizer mesmo em todos, os momentos mais marcantes de Vila Meã, nestes últimos anos.
Lembro-me, entre outros, por exemplo, do mediatismo colocado em torno, do Externato de Vila Meã. Quando se retirou o contrato de Associação. Quem mobilizou os jornais, as pessoas, os conteúdos? O Jornal de Vila Meã, da AEVM. Naquele momento mais do que pensar em ensino público ou privado era importante manter as pessoas, as famílias, na terra, porque senão as pessoas vão e não voltam. A Economia pára.
Não me lembro de nenhuma instituição que tenha realizado este papel de uma forma tão presente.
Vila Meã, Travanca, Mancelos seriam muito menos conhecidos no concelho sem Jornal. Porque não é possível, actualmente, os jornais regionais de outras terras estarem cá assiduamente.
Quando, por vezes assisto, a críticas, muito menos ultimamente, de que deveríamos estar aqui ou acolá, ou que deveríamos colocar mais destaque a esta ou àquela notícia. Eu pergunto, mas porquê que deveríamos? Que contributos trouxe aquela pessoa, entidade, para a existência deste meio?
A realidade é que as pessoas mais do que nunca querem reconhecimento do seu trabalho, das suas vidas (veja-se a autopromoção constante nas redes sociais, que não passa pelo crivo de ninguém, não é ninguém a avaliar, são os próprios. Avaliam-se com Muito Bom, extraordinário, fantástico, a si mesmos!).É tudo muito efémero, depressa são substituídos por outros, mais bonitos, jovens, com um design e marketing mais agressivo e espectacular. E, onde está a mensagem,o registo, a marca, a história? Foi-se…
Foi um trajeto difícil mas, apesar das circunstâncias, considero ser mais fácil agora. É interessante, porque estamos numa época de crise de jornais. O que nós entendemos perfeitamente. Mas temos percebido que tem havido mais gente interessada em participar e isso traz-nos esperança nesse sentido.

JVM – Que representatividade tem o Jornal para a região e para a comunidade local?
RM – Toda a gente sabe que há um jornal em Vila Meã.Temos percebido cada vez mais, que o jornal tem muito peso junto da comunidade. No contacto direto, na distribuição, realizada pelo nosso colega Daniel Ribeiro. Aqui aproveito para sublinhar o trabalho extraordinário deste elemento, que não é apenas o distribuidor, é um “faz tudo”: edita, desenha, pagina, filma. Ou seja, uma pessoa com muita noção do que é o jornalismo regional e contato com a comunidade. O Daniel refere que o jornal é acarinhado pelas pessoas. Surpreendentemente, as pessoas páram os seus carros na rua para pedir o Jornal de Vila Meã. Isso tem-nos surpreendido, porque, realmente, notamos esse carinho pelo jornal, que desaparece dos locais em que é distribuído. Nós distribuímos em locais estratégicos e ele simplesmente desaparece. Houve situações em que quase não tínhamos jornais para guardar em arquivo, sinal de que tem tido uma grande recetividade.

JVM – Que mensagem gostaria de deixar, aos leitores do Jornal de Vila Meã, no âmbito dos seus vinte anos?
RM – Gostaria de dizer que o jornal continua a ter a mesma perspetiva de sempre, que é um jornal da comunidade, das pessoas. Por vezes, nós não colocamos as notícias todas, porque não temos os recursos para estar presentes nos eventos que são importantes para as pessoas da terra. Pedimos que nos enviem as informações e que nos ajudem a manter o jornal vivo, é sempre uma perspetiva que se mantém em termos de história, que mais ninguém cuida e coloca a circular.
Gostaria também de fazer um apelo: que todas as instituições, sejam as empresas que participam e que não participam na AEVM, as entidades, as juntas, que todos entendam o que é este trabalho. Também aos particulares, àqueles que consideram importante a existência do jornal local, da sua terra. Entendam que ele não existe, porque sim! Ele só poderá continuar com meios. É colocado gratuitamente a circular, a falar de Vila Meã (quando falamos de Vila Meã, não é só a freguesia), contribuam com donativos para continuar com a missão que tem tido.
Só podemos colocar notícias se nos apoiarem, os custos são muitos! Quando há orçamento para divulgação, promoção, o Jornal deverá ser considerado.
Porquê? Porque divulga de uma forma positiva o que melhor se faz por cá. Resiste, está cá, faz história e, penso, merece a vossa confiança! Afinal, já temos 20 anos.
Há entidades públicas e privadas que perceberam isso e nos apoiam há anos, nomeadamente: a Junta de freguesia de Vila Meã e a Câmara Municipal de Amarante, bem como empresas: todas as da direção da AEVM. No entanto, não é suficiente para fazer chegar, gratuitamente, o jornal às pessoas..
O jornal quer melhorar, tem vários projetos. Quer chegar com outro tipo de serviços de comunicação complementares, responder às exigências deste tempo, sempre com a mesma linha de coerência e proximidade. Falar de si, do que faz, de uma forma sincera, com o devido cuidado.

LEITORES

“Quando o jornal sai, as pessoas querem ver para saberem realmente o que se passa aqui em Vila Meã. Para mim, em geral, todos os conteúdos parecem bem estruturados e importantes.”
Virgínia Teixeira
Casa das Ferragens Vila Meã
“Acho o jornal de Vila Meã importante para a nossa terra porque é como as ruas, há ruas pequenas e grandes e todas juntas constroem uma freguesia e todas devem ser mencionadas para conhecimento geral da população e de gerações futuras.”
Manuel Queirós
Barbearia Queirós Amarante